Apresentação

Partimos do pressuposto existencialista segundo o qual “o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define” (SARTRE). Assim, não acreditamos num sentido para a vida dado à priori, mas na construção desse sentido a partir das escolhas que fazemos ao longo da existência. Essa construção, no entanto, é realizada a partir de um mundo social. Como esse mundo social nos antecede, somos levados a crer que ele é algo fixo e imutável e a escolher de acordo com os valores e padrões já estabelecidos, como se nada pudesse ser mudado.

A proposta do Movimento Cultural Algaravia é “desnaturalizar” o mundo social a fim de que outros sentidos para a vida (além dos construídos pelo sistema de produção-consumo-mais produção-mais consumo) possam emergir. Utilizando as linguagens da Literatura, do Cinema, do Teatro e da Filosofia, pretendemos abrir espaços para que idéias, sentimentos, significados se cruzem, se confrontem, se interpelem e se complementem forjando uma abertura para novas possibilidades de compreensão e atuação na vida.

terça-feira, 22 de julho de 2008

REALIZAÇÃO HUMANA OU ESCRAVIDÃO


Por Ednéia Angélica Gomes

O encontro do Movimento Algaravia, realizado no domingo 20.07.2008, teve como principal tema o Trabalho. As músicas Fábrica da banda Legião Urbana, A burguesia de Cazuza e Pedro Pedreiro de Chico Buarque, além do poema O operário em construção de Vinícius de Moraes foram expressões artísticas utilizadas para fomentar o debate. Todos os participantes expuseram as suas compreensões sobre o tema tentando construir uma resposta à difícil questão: o que é trabalho, afinal? Fonte de realização humana ou escravidão?

As músicas e o poema ouvidos na ocasião destacam o caráter alienante do trabalho. Segundo Marx, com o advento do capitalismo a atividade do trabalhador é transformada em uma mercadoria que ele vende aos que detém os meios de produção. Dessa forma, o seu trabalho é puro meio de subsistência e não lhe pertence mais, já não mais se constitui exteriorização de si como sujeito, assim como não lhe pertence o produto de seu trabalho, que lhe é estranho, alheio.

Etimologicamente a palavra trabalho, do latim, tripalium (três paus = instrumento de tortura utilizado para ferrar animais bravios e aprisionar condenados), está associada à idéia de martírio, sofrimento, labuta, apesar de ser uma atividade considerada imprescindível para a manutenção da vida. Mas o trabalho é também a marca do homem no mundo, é o que expressa o seu potencial criador, portanto, meio através do qual o ser humano desenvolve as suas potencialidades e se realiza plenamente.

Contudo, nos dias de hoje, o trabalho está muito ligado à idéia de algo chato, cansativo, que restringe a nossa liberdade por algum tempo, mas que nos recompensa mais tarde com a possibilidade de consumir. Assim, na sociedade de consumo, a motivação para o trabalho é colocada fora dele, trabalhamos para ter coisas. Visto como um meio de adquirir mercadorias, a dimensão da realização humana desaparece do trabalho e é substituída pelo consumo.

Quanto a nós do Movimento Algaravia, temos que trabalhar “para ganhar a vida”, apesar disso, não deixamos de realizar o nosso potencial criador. Prova disso é que estamos trabalhando na produção de um filme. O argumento é o confronto entre homossexualidade X valores sociais e tem como intenção denunciar a hipocrisia da sociedade em que vivemos. Sociedade essa que tolera defeitos como arrogância, preconceito, egoísmo, mas que é extremamente intolerante para com sujeitos que possuem uma identidade sexual fora dos padrões da heteronormatividade.

O papel de cada um dos participantes, na produção do filme, foi definido e revelou talentos como o do diretor Erinilton, bem como do ator galã Edson. A produção ficou por conta do Edgar; Giselle ficou responsável pela preparação dos atores, cenários e figurinos; a mim coube o papel de roteirista e, talvez, atriz. Ainda falta definir os outros atores, o cinegrafista e o responsável pela trilha sonora. Estamos abertos a contribuições, quem quiser participar é só entrar em contato com o grupo.

A partir dessa reunião, ficou definido que os encontros do grupo acontecerão quinzenalmente, sempre às 16h. Contudo, em virtude da participação de alguns integrantes na parada GLBT de Contagem no dia 03.08, o próximo encontro foi adiado para o dia 10.08.2008. Ficou acertado também que todos os participantes deverão trazer alguma contribuição para o lanche coletivo (comida ou bebida).

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