Por Ednéia Angélica Gomes
A sociedade industrializada, com seus objetos produzidos em série; o sistema de ensino baseado na repetição de modelos e o domínio da mídia televisiva que banaliza o cotidiano “engessam” corpos e mentalidades, criando um ambiente hostil ao desenvolvimento do potencial criativo das crianças. Entretanto, a criatividade é um atributo indispensável à construção de um significado saudável para a vida e precisa ser estimulada. É através da criação de cenas e histórias, escritas ou não, que as crianças elaboram sentimentos, expressam desejos e fantasias, inventam formas de lidar com o mundo, testam essas fórmulas e fazem escolhas.
Pensando dessa forma, as professoras Giselle e Ednéia, integrantes do Movimento Algaravia, ofereceram, na tarde de segunda-feira 21 de julho, uma oficina de criação de histórias. Nessa oficina, meninas e meninos do bairro Campo Silveira e adjacências tiveram a oportunidade de dar asas à imaginação, pois liberar a criatividade foi a ordem do dia. E, sob esse imperativo, grandes talentos revelaram-se: uns na arte de desenhar, outros de criar enredos, outros de representar e houve até um diretor que surpreendeu a todos com o seu talento.
O trabalho começou com uma discussão sobre as características do conto como gênero literário. Em seguida, houve a produção oral de uma história coletiva. Num outro momento, os meninos produziram desenhos de personagens ou cenas. Essas cenas ou personagens foram discutidas no grupão, quando cada criança pôde dizer o que percebia no desenho dos colegas. Depois disso os meninos se organizaram em grupos, reuniram os seus desenhos e montaram algumas histórias que foram encenadas.
Segundo as professoras, no início houve bastante resistência, coisa comum em algumas crianças, uma vez que vivemos numa sociedade inibidora da expressão. Entretanto, depois que conseguiram desprender o corpo e a mente das amarras sociais, a garotada revelou um imenso potencial criativo que, infelizmente, nem sempre encontra espaço para se realizar.
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