Apresentação

Partimos do pressuposto existencialista segundo o qual “o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define” (SARTRE). Assim, não acreditamos num sentido para a vida dado à priori, mas na construção desse sentido a partir das escolhas que fazemos ao longo da existência. Essa construção, no entanto, é realizada a partir de um mundo social. Como esse mundo social nos antecede, somos levados a crer que ele é algo fixo e imutável e a escolher de acordo com os valores e padrões já estabelecidos, como se nada pudesse ser mudado.

A proposta do Movimento Cultural Algaravia é “desnaturalizar” o mundo social a fim de que outros sentidos para a vida (além dos construídos pelo sistema de produção-consumo-mais produção-mais consumo) possam emergir. Utilizando as linguagens da Literatura, do Cinema, do Teatro e da Filosofia, pretendemos abrir espaços para que idéias, sentimentos, significados se cruzem, se confrontem, se interpelem e se complementem forjando uma abertura para novas possibilidades de compreensão e atuação na vida.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O homem

De pijama no sofá da sala, livro aberto sobre a barriga, o homem. De férias, ócio consentido, faz um inventário da sua vida: sua TV tela plana de 42 polegadas, seu carro seminovo, seu apartamento num bairro de classe média, sua esposa, seus filhos, seu pênis... Tudo dentro dos padrões.

Sem tomar banho e sem se barbear. Odores fétidos emanando do seu corpo, vai até a janela e contempla o céu azul. Sente-se dono também desse azul. Ele é o homem.

Enquanto isso, na cozinha, a mulher rasga o ventre de um peixe, recheia-o com veneno e põe para assar. Para o homem.

Ednéia Angélica Gomes

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