Apresentação

Partimos do pressuposto existencialista segundo o qual “o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define” (SARTRE). Assim, não acreditamos num sentido para a vida dado à priori, mas na construção desse sentido a partir das escolhas que fazemos ao longo da existência. Essa construção, no entanto, é realizada a partir de um mundo social. Como esse mundo social nos antecede, somos levados a crer que ele é algo fixo e imutável e a escolher de acordo com os valores e padrões já estabelecidos, como se nada pudesse ser mudado.

A proposta do Movimento Cultural Algaravia é “desnaturalizar” o mundo social a fim de que outros sentidos para a vida (além dos construídos pelo sistema de produção-consumo-mais produção-mais consumo) possam emergir. Utilizando as linguagens da Literatura, do Cinema, do Teatro e da Filosofia, pretendemos abrir espaços para que idéias, sentimentos, significados se cruzem, se confrontem, se interpelem e se complementem forjando uma abertura para novas possibilidades de compreensão e atuação na vida.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

UMA CIDADE MAL-AMADA




Na fila do Restaurante Popular da Cidade dos Meninos, no saguão de espera do Hospital São Judas Tadeu, nos pontos de ônibus e em todos os espaços públicos o que mais se ouve, em relação à cidade, são reclamações. Grande parte das pessoas que moram aqui, procedentes de Belo Horizonte ou Contagem, fazem questão de dizer que vieram para Neves contra a sua vontade. A insatisfação dos moradores é tanta que chega a incomodar.
Fora daqui, a imagem do município também não é das melhores. Quando o assunto é Ribeirão das Neves, as pessoas lembram logo a grande quantidade de presídios ou a história política vergonhosa: administrações incompetentes e corruptas que aumentaram os problemas em vez de resolvê-los. Quem pesquisa na internet se depara com a alcunha de “cidade dormitório”. Mas será que todos os moradores estão mesmo “dormindo”?
Sabemos que as pessoas não reclamam sem motivos, são muitos os problemas, entre eles: falta de asfalto, precariedade do transporte público, falta de estruturação do serviço de saúde e saneamento básico. São difíceis as soluções. Entretanto, acreditamos ser possível fazer algo mais do que reclamar.
Para começar talvez fosse bom conhecer melhor a cidade em que moramos: seus lugares, seus moradores, em vez de destacar as suas dificuldades em relação às outras cidades. Valorizar o que temos é o primeiro passo para conseguir melhorias e é também a proposta deste número do jornal Fazendo História.

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