Chegando por fim ao inverno da existência ela, inesperadamente, vê diante de si a longa estrada da vida dividir-se em inúmeras ramificações. Antes, quando ainda tinha tempo, o caminho parecera-lhe apenas um. Era simplesmente seguir, comprimida pela massa, buscando a felicidade sempre à frente, no futuro.
A estrada era sempre a mesma, no entanto, a esperança de alcançar variava com o tempo. Na primavera, essa busca assemelhava-se à procura de um tesouro, escondido por piratas; no verão, era encontrar um marido romântico e bem sucedido; no outono instalar a família numa casa confortável, em um bairro nobre.
Mas o tempo, indiferente, nos leva em direção à morte enquanto esperamos ser felizes. O tempo dela passou. E a esperança de ser feliz ficou velha de tanto esperar.
Contudo, agora que ela não tem mais um corpo que agrade um homem, ou que sirva para o trabalho, ou que fabrique leite para um filho, agora, esse corpo é seu, somente seu... E, embora o peso dos anos torne mais difícil arrastá-lo vida afora, só agora ela percebe que pode escolher a direção a seguir, sem mais nada esperar.
Sozinha, recolhe os cacos de si mesma e vira à esquerda na primeira bifurcação, quase com ternura.
Oh, na na
Oh, na na
Ednéia Angélica Gomes
Apresentação
Partimos do pressuposto existencialista segundo o qual “o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define” (SARTRE). Assim, não acreditamos num sentido para a vida dado à priori, mas na construção desse sentido a partir das escolhas que fazemos ao longo da existência. Essa construção, no entanto, é realizada a partir de um mundo social. Como esse mundo social nos antecede, somos levados a crer que ele é algo fixo e imutável e a escolher de acordo com os valores e padrões já estabelecidos, como se nada pudesse ser mudado.
A proposta do Movimento Cultural Algaravia é “desnaturalizar” o mundo social a fim de que outros sentidos para a vida (além dos construídos pelo sistema de produção-consumo-mais produção-mais consumo) possam emergir. Utilizando as linguagens da Literatura, do Cinema, do Teatro e da Filosofia, pretendemos abrir espaços para que idéias, sentimentos, significados se cruzem, se confrontem, se interpelem e se complementem forjando uma abertura para novas possibilidades de compreensão e atuação na vida.
A proposta do Movimento Cultural Algaravia é “desnaturalizar” o mundo social a fim de que outros sentidos para a vida (além dos construídos pelo sistema de produção-consumo-mais produção-mais consumo) possam emergir. Utilizando as linguagens da Literatura, do Cinema, do Teatro e da Filosofia, pretendemos abrir espaços para que idéias, sentimentos, significados se cruzem, se confrontem, se interpelem e se complementem forjando uma abertura para novas possibilidades de compreensão e atuação na vida.
terça-feira, 10 de junho de 2008
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